
por Alessandro Dias
Da redação Tupã, SP- O Mato Grosso está colhendo a maior safra de soja da história, com quase 50 milhões de toneladas, mas grande parte dessa produção enfrenta dificuldades para chegar aos portos devido a problemas de infraestrutura. Imagens recentes mostram uma fila de caminhões de mais de 30 km na BR-163, única via de escoamento entre a maior região produtora de soja do país e o Porto de Miritituba, no Pará. A rodovia não é duplicada e não possui acostamento, o que agrava a lentidão no transporte.
Uma alternativa para melhorar esse fluxo e reduzir os custos de produção seria a Ferrogrão, uma ferrovia planejada para ligar Sinop, no Mato Grosso, a Miritituba, no Pará. O projeto, no entanto, está paralisado há cinco anos por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A suspensão ocorreu após um pedido do Psol, sob o argumento de que o traçado da ferrovia corta o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. Segundo os responsáveis pelo projeto, a obra afetaria apenas 1% da área do parque.
O ex-ministro Aldo Rebelo criticou a paralisação da ferrovia e alertou para os impactos na economia. “A situação é inaceitável, porque o governo já anunciou a impossibilidade de iniciar a obra ainda no atual mandato do presidente Lula. Vivemos um processo de sabotagem contra a infraestrutura do Brasil, no lugar mais sensível da economia nacional”, declarou.
A expectativa dos produtores é de que a Ferrogrão poderia reduzir em até 40% o custo do frete, baratear alimentos e diminuir os acidentes na BR-163. O produtor rural Zeca Chiarello ressaltou que a obra traria impactos diretos na cadeia de produção alimentar. “Soja e milho viram ração para alimentar frango, bovino e suíno. Se tivéssemos esse acesso ferroviário e uma rodovia mais digna, o custo da ração seria menor, tornando o alimento mais barato para o consumidor final”, explicou.
Enquanto a decisão sobre a ferrovia segue indefinida no STF, o escoamento da produção agrícola brasileira continua dependente de rodovias congestionadas e ineficientes, aumentando os custos e impactando o preço dos alimentos para os consumidores.
Fonte: Band
Foto: Reprodução
Para Central Cidade de Jornalismo – Repórter Alessandro Dias
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