
Por Alessandro Dias
Da redação Tupã, SP- Em uma reviravolta digna de novela, o presidente Lula revelou, nesta quarta-feira (26), durante entrevista ao UOL, que na sua receita para a reforma tributária há ingredientes que podem desagradar os amantes de carnes nobres. Enquanto o frango, queridinho da mesa do brasileiro, deve continuar isento de impostos, cortes como o filé mignon serão temperados com novas taxas.
“Estamos discutindo várias questões na reforma tributária, incluindo quais itens queremos isentar de impostos. Os empresários querem isenção para toda a carne, mas acho que precisamos mediar”, disse o presidente. “Há carnes consumidas por pessoas de alto padrão e carnes que o povo consome. Podemos fazer essa separação. Não vamos taxar o frango, que é o que o povo come todo dia.”
Lula, conhecido por prometer picanha no prato do brasileiro durante sua campanha eleitoral, parece ter deixado esse corte específico fora da conversa sobre impostos. Talvez a picanha tenha se tornado tímida depois de tantas promessas e preferiu não aparecer na nova pauta tributária. Afinal, prometer picanha foi fácil, mas colocar ela na mesa de todos os dias está se mostrando uma tarefa digna de um reality show culinário.
A entrevista foi apimentada com críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por manter a taxa básica de juros em 10,5% ao ano. Lula convocou os empresários do setor produtivo a deixarem suas queixas e começarem a agir, sugerindo que façam passeatas contra os juros altos. “Eu continuo criticando a taxa de juros. Até acho que não deveria ser o presidente a fazer essa crítica. Houve um tempo em que tínhamos o Emílio de Moraes e o Zé Alencar, que batiam muito na taxa de juros. Mas é preciso que os empresários do setor produtivo, a CNI, a Fiesp, ao invés de reclamar do governo, façam passeatas contra a taxa de juros, porque são eles que estão tendo dificuldades. São eles que não conseguem crédito, não é o governo”, afirmou Lula.
Lula também destacou que o Banco Central “não pode cuidar apenas da inflação”. “O Banco Central precisa manter a taxa de juros a 10,5% quando a inflação está a 4%? O Banco Central leva em conta que as pessoas estão tendo dificuldade em obter financiamento? Não é culpa apenas do Banco Central, mas da estrutura que foi criada. Ou seja, ele não pode se preocupar apenas com a inflação”, concluiu.
Assim, enquanto o frango continua reinando na mesa dos brasileiros, as carnes nobres ganharão um novo tempero: o dos impostos. Resta saber como essa nova receita será digerida pelo paladar popular.
Fonte: Uol; Aos Fatos; Folha de São Paulo
Captura de Tela: Canal Uol; Band Terra Viva
Texto: Alessandro Dias
Para Central Cidade de Jornalismo – Repórter Alessandro Dias
