Rejuvenescimento facial vai além dos cuidados com a pele

Conduzido pela cirurgiã plástica Danielle Gondim, especializada em rejuvenescimento facial e formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, em colaboração com o médico espanhol Francisco Bravo, o estudo registrou que 94,7% dos participantes estavam muito satisfeitos com os resultados. Os achados se referem ao grupo analisado e não constituem promessa de resultado individual.O levantamento chama atenção para uma região que nem sempre recebe o mesmo cuidado dedicado às rugas e às linhas de expressão. A perda de definição entre a mandíbula e o pescoço também interfere na aparência do rosto, e sua origem pode envolver diferentes tecidos. Compreender essas alterações ajuda a evitar que uma mesma solução seja aplicada a necessidades distintas.“O envelhecimento facial não acontece apenas na superfície da pele. Os músculos, a gordura e as estruturas de sustentação também passam por mudanças que interferem no contorno do rosto. Quando avaliamos essas características em conjunto, conseguimos compreender melhor o que precisa ser tratado, sem partir da ideia de que todos os pacientes precisam da mesma intervenção”, explica Danielle Gondim.Essa avaliação também orienta a conversa sobre expectativas. Antes de escolher uma técnica, é necessário identificar o que incomoda o paciente, quais características fazem parte de sua anatomia e o que pode ser modificado com segurança. A seguir, a especialista esclarece quatro pontos sobre o assunto.

1. Nem toda papada está relacionada à gordura

A definição da mandíbula e a transição entre o queixo e o pescoço influenciam a percepção das proporções faciais. Algumas pessoas apresentam pouca definição nessa região mesmo sem acúmulo significativo de gordura, devido à distribuição dos tecidos e às características anatômicas.Por isso, procedimentos direcionados apenas à pele ou à redução de volume podem não atender às necessidades de determinados pacientes. “É comum associar a papada exclusivamente ao acúmulo de gordura, mas essa aparência também pode estar relacionada à musculatura e à própria anatomia cervical”, ressalta a cirurgiã.

2. As estruturas profundas também precisam ser avaliadas

A pesquisa analisou o lifting cervical profundo em plano duplo associado ao lifting facial. A abordagem inclui o tratamento de estruturas profundas e o reposicionamento do platisma, músculo que se estende pelo pescoço e participa da formação de seu contorno.A indicação depende das alterações identificadas durante a consulta. “Uma pessoa pode ter o rosto relativamente jovem e apresentar perda de definição nessa região. Identificar o que provoca essa alteração é o primeiro passo para evitar tratamentos inadequados ou resultados que não correspondam ao que o paciente espera”, explica Danielle Gondim.
Mulher loira de meia-idade tem o rosto examinado por uma profissional de luvas, que avalia o contorno facial em uma consulta
O planejamento deve respeitar as proporções do rosto e as expectativas de cada paciente (Imagem: Anna Zhukkova | Shutterstock)

3. Preservar a identidade faz parte do planejamento

Alterações nas pálpebras, sobrancelhas, bochechas e pescoço podem ocorrer em intensidades diferentes. Isso não significa que todas essas regiões precisem de intervenção cirúrgica. O planejamento deve considerar as proporções do rosto e as expectativas de cada pessoa.Para a especialista, naturalidade não depende apenas da retirada de pele. “O objetivo não deve ser transformar uma pessoa em outra, mas compreender quais mudanças ocorreram ao longo dos anos e como elas podem ser tratadas respeitando a identidade de cada rosto”, afirma.

4. Os riscos devem fazer parte da conversa

O estudo registrou fraqueza nervosa transitória em 4,3% dos pacientes e sialoma, acúmulo de saliva nos tecidos, em 3,1%, sem sequelas permanentes. Esses resultados não eliminam os riscos da intervenção.Antes da decisão, a avaliação médica deve considerar condições de saúde, anatomia, limites do procedimento e recuperação. A presença de flacidez ou perda de definição mandibular, isoladamente, não determina a necessidade de operar.“Não existe uma técnica ideal para todos os rostos. O paciente precisa compreender o que realmente pode ser corrigido, quais são os limites do procedimento e quais riscos estão envolvidos. A segurança começa antes da cirurgia, com uma indicação criteriosa e uma conversa transparente sobre os resultados possíveis”, conclui Danielle Gondim.Por Carolina Lara



05/11/2026 – Rádio Cidade FM

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