Chilli Beans em crise: dívida de R$ 600 milhões e queda nas vendas faz empresa cogitar recuperação judicial
Chilli Beans acumula dívida de R$ 600 milhões e enfrenta queda nas vendas dos franqueados enquanto novo co-CEO assume para renegociar com credores
Caito Maia negou aos funcionários que a empresa esteja prestes a entrar em recuperação judicial (Fernando Cavalcanti/VEJA)
Rede de franquias enfrenta dificuldades financeiras crescentes e nomeia André Dela Togna para conduzir negociações com credores
Mais uma grande empresa brasileira dá sinais de que atravessa sérias dificuldades financeiras. A Chilli Beans, referência no mercado de óculos e acessórios, acumula uma dívida de R$ 600 milhões e vê o faturamento de seus franqueados encolher de forma preocupante em 2026. Diante desse cenário crítico, a companhia anunciou a chegada de André Dela Togna como novo co-CEO, em uma tentativa de reorganizar suas finanças e evitar um colapso maior.
Faturamento da rede de franqueados despenca em 2026
Os números revelam a gravidade da situação. Dados obtidos pela coluna indicam que as unidades franqueadas da Chilli Beans movimentaram R$ 380 milhões entre janeiro e julho de 2026 — uma queda de 12,3% em comparação aos R$ 423 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
A retração atingiu todas as principais categorias da rede. As lojas da chamada linha vermelha, a mais tradicional da marca, faturaram R$ 275 milhões nos sete primeiros meses de 2026, o que representa um recuo de 9,3% frente aos R$ 303 milhões do período equivalente no ano anterior.
As lojas tradicionais de óculos escuros tiveram desempenho ainda pior: movimentaram R$ 98 milhões até julho, uma queda de 12,9% ante os R$ 113 milhões no mesmo intervalo de 2025. Já na categoria de contêineres ecológicos, o faturamento chegou a R$ 7 milhões no acumulado de janeiro a julho de 2026, com recuo de 3,5% na comparação anual.
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Novo co-CEO chega para renegociar dívida bilionária com bancos
O anúncio da nomeação de André Dela Togna aconteceu durante uma reunião interna realizada na segunda-feira, 31. Segundo fontes ouvidas pela coluna, o executivo terá como principal missão liderar as negociações com os bancos para reestruturar a dívida, que encerrou 2025 no patamar de R$ 600 milhões.
A alternativa em discussão seria uma possível recuperação extrajudicial. Mais cedo, o veículo de negócios Neofeed havia informado que a companhia analisava uma recuperação judicial. Procurada pela coluna, a Chilli Beans não se manifestou sobre o assunto.
Caito Maia nega recuperação judicial, mas admite negociações
Durante a mesma reunião, o CEO da Chilli Beans, Caito Maia, negou aos funcionários que a empresa esteja prestes a entrar em recuperação judicial. Fontes próximas às negociações, no entanto, interpretam que a declaração do executivo indica que a companhia pode recorrer a uma recuperação extrajudicial para renegociar os débitos com os credores.
“Caito disse que não tem recuperação judicial nenhuma! Segundo ele, recuperação judicial é uma coisa, recuperação extrajudicial é diferente”, afirmou uma fonte que acompanha o assunto.
Vale destacar que a recuperação judicial é conduzida por intermédio da Justiça, enquanto a recuperação extrajudicial é feita de forma mais amigável e em comum acordo com os credores.
Um terceiro interlocutor presente na reunião relatou que Caito Maia também afirmou que a companhia se encontra na etapa final das negociações com os bancos. O executivo teria dito que espera mudanças positivas na empresa nos próximos três meses. De acordo com o relato, Caito continuará à frente da companhia como CEO.
Duplo desafio ameaça o futuro da Chilli Beans
A chegada de Dela Togna se dá, portanto, em meio a um cenário duplamente adverso para a Chilli Beans: de um lado, a urgência de reestruturar uma dívida estimada em R$ 600 milhões; de outro, a retração persistente do faturamento da rede de franqueados, que não dá sinais de recuperação. O caso se soma a uma lista crescente de empresas brasileiras que enfrentam crises financeiras severas no atual ambiente econômico do país.