Uefa, Concacaf e AFC publicam carta conjunta contra Infantino na Fifa

Pronunciamento conjunto segue uma série de reações negativas das confederações sobre a manutenção de Gianni Infantino na presidência da Fifa

Em meio à crise na Fifa, três confederações se uniram em nova ofensiva contra a permanência de Gianni Infantino na presidência da entidade máxima do futebol. Uefa, Concacaf e AFC publicaram carta conjunta, nesta segunda-feira (10/8), em protesto às atitudes do mandatário suíço e afirmaram que o futebol “não pertence a nenhum indivíduo ou instituição”.O pronunciamento conjunto faz parte de uma série de reações das três confederações, que se uniram contra o projeto da FFE proposto pela Fifa.O futebol é a maior paixão partilhada do mundo. Não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição.Pertence aos jogadores, aos adeptos, aos clubes, às Federações-Membro e a todas as instituições encarregadas de salvaguardar o seu futuro. nesse espírito, na qualidade de confederações que representam os seus membros, que hoje nos pronunciamos colectivamente.O crescimento registado na última década foi real. Mas esse progresso nunca foi obra de uma única pessoa. Foi o resultado do trabalho da FIFA, das Confederações, das Federações-Membro e dos milhares de pessoas que dedicam as suas vidas ao futebol.A ampliação dos torneios, a atribuição dos Campeonatos do Mundo da FIFA de 2030 e 2034, a distribuição de recursos às federações. Estas foram conquistas partilhadas, acordadas em conjunto e concretizadas em conjunto.Isto não tem a ver com dinheiro. As Confederações já apelaram a uma distribuição responsável das vastas reservas existentes da FIFA, com vista a reforçar ainda mais o investimento no desenvolvimento das Federações-Membro.Também não se trata de nenhuma Federação-Membro perder o apoio que conquistou, apesar do alarmismo dirigido aos nossos membros para sugerir o contrário. Nem se trata de rever a expansão das competições, a atribuição de vagas para o Campeonato do Mundo ou quaisquer outras decisões tomadas colectivamente. Essas decisões foram tomadas em conjunto e devem ser mantidas.Trata-se de algo mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que foram eleitos para o liderar.A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – nem de exigir – o poder para o deter. É um dever de serviço para com a família do futebol que a confia.Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do colectivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado.A recente carta da FIFA aos seus vice-presidentes e às 211 federações-membro reconhece que foram cometidos erros ao longo do processo. A carta aborda esta situação como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de discernimento. Uma proposta apresentada num prazo apertado, sem uma consulta significativa e levada a cabo antes de as federações-membro poderem analisar devidamente os seus termos, não é fruto de um descuido — é o resultado de uma estratégia destinada a limitar o escrutínio.Não reconheceu que a proposta em si era intrinsecamente errada. Continua a não haver qualquer reconhecimento de que a tentativa de vender uma participação no Campeonato do Mundo da FIFA constituiu um grave erro de avaliação — não apenas um deslize processual, mas uma quebra fundamental da confiança das próprias instituições que a FIFA existe para servir.



10/08/2026 – Rádio Cidade FM

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