

MORRISTOWN, NJ (EUA) – A eliminação precoce nas últimas Copas do Mundo ainda faz parte das conversas dentro da Seleção Brasileira. Às vésperas do confronto contra a Noruega, pelas oitavas de final do Mundial, o atacante Matheus Cunha revelou que o grupo comandado por Carlo Ancelotti conversa internamente sobre os fracassos recentes e trabalha para transformar essa lembrança em motivação — o Brasil foi eliminado pela Bélgica, em 2018, e pela Croácia, em 2022. O atacante deixou claro que o objetivo é escrever uma nova história e encerrar o ciclo de decepções que acompanha a equipe há anos.
— Temos algumas conversas sobre o momento exato da eliminação, de não querer viver aquilo de novo ou da escola de onde ele vem. Alguns atletas passaram por isso em outras Copas. Temos que fazer o máximo possível para sumir com esse fantasma. Independentemente de quem venha pela frente, temos que passar por essa dificuldade. Espero que, desta vez, seja diferente e a gente possa contar a nossa história.
A declaração foi dada nesta sexta-feira (3), no hotel onde a delegação brasileira está concentrada em Nova Jersey. Titular da equipe e cada vez mais consolidado no esquema de Carlo Ancelotti, Matheus Cunha, que já marcou três gols na Copa do Mundo, destacou que o momento vivido pela Seleção aumenta a confiança do grupo e fortalece o entrosamento construído desde a chegada do treinador italiano.
Segundo o atacante, a repetição da base da equipe tem facilitado o entendimento entre os jogadores, embora a ausência de Lucas Paquetá obrigue a comissão técnica a buscar novas alternativas para a montagem do meio-campo.
— É difícil responder essa pergunta. Depende do
do treinador. Estamos cada vez mais confiantes com esse entrosamento e a continuidade que estamos tendo. Dá uma confiança muito grande repetir algumas coisas, demonstrando para vocês e para nós que está dando certo. Vamos sentir falta do Paquetá, porque estávamos criando uma rotina de entrosamento. Depende do que o treinador vai querer para a equipe. Não quero ter a responsabilidade de ser o treinador agora.
Matheus Cunha também comentou a preparação para enfrentar uma seleção que deverá atuar com linhas compactas e apostar na organização defensiva. O atacante explicou que Ancelotti vem preparando diferentes alternativas para quebrar esse tipo de marcação e ressaltou que sua função dentro de campo pode variar conforme a necessidade da partida.
— Cada jogo tem uma dificuldade diferente. Creio que o plano tático e as formações acabam mudando muito durante os jogos. Estou jogando como camisa 9, mas também faço uma função parecida com a de um ponta em um losango, como meia de criação flutuando. O Odegaard faz muito isso também e, às vezes, atua até como volante, mas é um meia. O treinador e a comissão técnica dão funções diferentes aos jogadores de acordo com cada partida, e isso é comum. Contra o Japão, enfrentamos um bloco defensivo compacto, e ele pediu para eu ficar um pouco mais aberto para criar espaços. Se a Noruega vier da mesma forma, estaremos preparados para nos adaptar durante o jogo.
Relação com Haaland
— Já enfrentei o Haaland algumas vezes e fui mais feliz do que ele. Temos uma relação bacana, mas estamos acostumados a enfrentar muitos jogadores desse nível ao longo da temporada. Também enfrentei o Haaland quando joguei na Alemanha. (NR: foram cinco jogos entre os jogadores na Premier League e na Bundesliga. Haaland venceu quatro, Matheus Cunha apenas um. O último duelo entre os dois, o Manchester United venceu por 2 a 0, em jogo válido pelo Campeonato Inglês).
Haaland e o favoritismo do Brasil
— Acho que somos duas equipes muito respeitosas. O quão grande é o Haaland, citar o respeito pela nossa Seleção, fala muito mais sobre ele do que sobre nós. Ele vai entrar em campo querendo ganhar. É gratificante receber esse respeito. O Scaloni sempre colocou o Brasil em um patamar muito alto, mas isso depende muito mais de nós do que das outras seleções. Existem equipes que o mundo inteiro diz que precisam ser batidas. Aos poucos, vamos mostrando quem somos. Fico feliz por ajudar as coisas a acontecerem de uma forma melhor. Espero que esse favoritismo seja confirmado dentro de campo, mostrando tudo aquilo que estamos prontos para fazer.
Calor e adaptação durante os treinos










