Exclusivo: depoimentos da babá de Henry Borel e de ex-enteada de Jairinho foram decisivos para a condenação

Por Fantástico

Fantástico tem acesso a depoimentos do julgamento do caso Henry Borel
Fantástico tem acesso a depoimentos do julgamento do caso Henry Borel

Os depoimentos da babá de Henry Borel e da filha de uma ex-namorada de Jairinho foram decisivos no julgamento que condenou o ex-vereador pela morte do menino de 4 anos.

Fantástico teve acesso a depoimentos e cenas exclusivas do julgamento mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Na madrugada da última quinta-feira (4), os sete jurados – cinco homens e duas mulheres – decidiram condenar Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio.

A mãe de Henry, Monique Medeiros, foi condenada por omissão em um episódio de tortura e por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas não cumprirá a pena por ter recebido perdão judicial.

Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio — Foto: Reprodução/TV Globo

Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio — Foto: Reprodução/TV Globo

Durante o julgamento, a filha de uma ex-namorada de Jairinho afirmou ter sofrido agressões quando tinha apenas 5 anos. Hoje com 18 anos, ela afirmou que o ex-vereador a levava para um motel e a afundava repetidamente em uma piscina.

“Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. E aí me soltava. Eu respirava, e ele me afogava de novo com o pé dele, me empurrando. Até o chão, várias vezes”, contou a jovem, que teve sua imagem preservada.
 

A mãe da jovem, Natasha Machado, afirmou que só descobriu as agressões cerca de um ano após o fim do relacionamento com Jairinho. Após a morte de Henry, ela e a filha decidiram procurar a família do menino.

“A única coisa que eu podia fazer era procurar o pai do menino e dizer para ele não desistir”, afirmou.

Babá relatou agressão à mãe de Henry

 

A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, é considerada peça-chave no processo, mas respondia por falso testemunho. Ela voltou atrás em suas versões e foi fundamental para o Ministério Público apontar três episódios de tortura contra Henry.

No primeiro deles, ocorrido em 2 de fevereiro de 2021, Thayná enviou mensagens ao namorado dizendo que Jairinho havia se trancado no quarto com o menino.

“Eu ficava tão nervosa quanto a criança, e eu apenas como uma empregada sem poder fazer nada”, disse, ao ser questionada sobre por que não acionou a mãe do menino naquele momento.

Jairinho e Monique só foram condenados pelo segundo episódio, de 12 de fevereiro de 2021. Naquele dia, imagens mostraram Henry saindo do quarto mancando após ficar sozinho com o padrasto.

Mensagens indicaram que a babá avisou Monique sobre o que havia acontecido. Em uma chamada de vídeo, o menino contou à mãe que havia levado uma “banda”, ou seja, uma rasteira do padrasto.
 

A acusação sustentou que Monique foi alertada sobre a agressão, mas não tomou providências para proteger o filho. A mãe disse não imaginar que fossem agressões físicas.

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, foi condenada por omissão e homicídio culposo, mas recebeu perdão judicial — Foto: Reprodução/TV Globo

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, foi condenada por omissão e homicídio culposo, mas recebeu perdão judicial — Foto: Reprodução/TV Globo

Os réus foram absolvidos de uma terceira acusação, relacionada ao fim de fevereiro de 2021. Não havia registros que comprovassem que Monique tenha sido avisada pela babá.

Em 8 de março de 2021, Henry foi levado sem vida ao hospital. Laudos indicaram hemorragia interna e laceração do fígado provocadas por ação contundente. Peritos ouvidos no processo apontaram que os ferimentos eram incompatíveis com a versão do casal de que a criança havia caído da cama.

Monique permaneceu ao lado de Jairinho até ser presa, um mês depois, e apresentou à Polícia uma versão que favorecia o assassino do filho.

A defesa de Monique alegou que ela desconhecia as agressões e acreditava na versão do acidente doméstico. E argumentou que ela era vítima de violência doméstica e manipulação por parte de Jairinho.

‘A justiça matou o meu filho’

 

Leniel Borel, pai de Henry, afirmou que inicialmente também acreditou que Monique fosse vítima. Com o avanço das investigações, porém, mudou de opinião. “Eu não imaginava que ela poderia estar protegendo o assassino do filho dela”, disse.

Ele disse que não houve justiça completa por Henry e criticou o perdão judicial concedido a Monique pela juíza Elizabeth Machado Louro, que considerou ter havido uma “misoginia declarada” contra a mãe.

A decisão está longe de encerrar o caso. O Ministério Público recorreu, alegando irregularidades após a juíza ter mudado uma das perguntas feitas aos jurados, o que, segundo a acusação, contribuiu para uma mudança do entendimento sobre a responsabilidade de Monique.

Monique Medeiros já está em liberdade.

Jairinho permanece no presídio em Bangu, onde agora vai cumprir pena. Sua defesa também pretende pedir a anulação do julgamento.

Como assistente de acusação, Leniel Borel fará o mesmo. “O meu sentimento é de terem matado o Henry mais uma vez. A justiça matou o meu filho mais uma vez”, afirmou.

Quase cinco anos após a morte que chocou o país e levou à criação da Lei Henry Borel, o julgamento mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio terminou com uma condenação histórica. Mas a disputa judicial em torno do caso ainda deve continuar nos tribunais.




08/06/2026 – Rádio Cidade FM

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