Trump foi a Pequim. Agora Putin também desembarca na China. Em meio às guerras, ao petróleo e às disputas globais, Xi Jinping consolida Pequim como um dos principais centros de poder da nova geopolítica mundial.Foto: Imagem gerada por IA/ND MaisMas essa relação está longe de ser equilibrada. Se antes Rússia e China apareciam como parceiros relativamente equivalentes dentro de um eixo antiamericano, hoje Moscou parece muito mais dependente de Pequim do que o contrário. E isso muda completamente a lógica da relação entre Putin e Xi Jinping.
A própria guerra no Oriente Médio acelerou essa mudança. O impasse no Estreito de Ormuz elevou os riscos energéticos globais e aumentou ainda mais a importância da China como principal compradora de petróleo do Irã e também como grande cliente da energia russa. Em outras palavras: a estabilidade energética mundial hoje passa diretamente pelas decisões tomadas em Pequim.Além disso, a China conseguiu algo extremamente raro no atual cenário internacional: manter diálogo simultâneo com atores que estão em lados opostos de grandes conflitos globais. Xi Jinping conversa com Trump sem romper com Putin. Mantém relações com o Irã sem fechar completamente as portas para os americanos. Dialoga com a Rússia enquanto tenta preservar parte de seus interesses econômicos na Europa.
Para Putin, a viagem também carrega um componente simbólico importante. Depois da passagem de Trump pela China, Moscou precisava demonstrar que continua ocupando espaço privilegiado junto a Xi Jinping. Afinal, o temor russo é relativamente evidente: que uma eventual aproximação entre China e Estados Unidos aconteça às custas da influência russa.
Embora China e Rússia continuem alinhadas contra a hegemonia americana, Pequim pensa no longo prazo econômico, enquanto Moscou opera muito mais na lógica da sobrevivência estratégica imediata. A China quer estabilidade para continuar exportando, expandindo sua tecnologia e fortalecendo sua economia. A Rússia, por outro lado, precisa sustentar uma guerra cara e prolongada enquanto evita desgaste interno.Por isso, talvez a grande mensagem geopolítica dessas duas visitas consecutivas — Trump primeiro, Putin depois — seja relativamente simples: Xi Jinping se tornou hoje um dos poucos líderes capazes de sentar simultaneamente à mesa com os dois principais adversários estratégicos do planeta.


