O navio partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, em uma rota transatlântica por ilhas remotas do Atlântico Sul. De acordo com a análise, o primeiro passageiro apresentou sintomas em 6 de abril, cinco dias após a partida, com febre, dor de cabeça, dor abdominal e diarreia. Ele morreu a bordo em 11 de abril. Outros passageiros adoeceram nas semanas seguintes, depois de desembarques e deslocamentos para diferentes países.
O casal de holandeses, apontado como o primeiro a manifestar sintomas, teria passado por uma cidade da Patagônia argentina antes do embarque.
A principal hipótese é que os dois, que eram ornitólogos (pessoas que estudam aves), tenham ido ao local para fotografar e observar pássaros.
Durante a atividade, eles podem ter entrado em contato com secreções, urina, fezes ou saliva de um roedor infectado pelo vírus Andes. Sem saber que estavam contaminados, embarcaram no cruzeiro. Dias depois, o homem começou a apresentar sintomas; em seguida, a mulher também adoeceu. Nesse intervalo, a suspeita é que outras pessoas tenham sido infectadas.
O sequenciamento confirmou a presença do vírus Andes, um tipo de hantavírus encontrado na América do Sul. A infecção costuma ocorrer quando uma pessoa entra em contato com ambientes contaminados por urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Diferentemente de outros hantavírus,
o vírus Andes também pode sustentar transmissão limitada entre pessoas, especialmente em contatos próximos.
Hantavírus semelhante entre infectados
A análise genômica mostrou que as sequências virais obtidas de diferentes pacientes eram muito parecidas entre si. Em alguns trechos do genoma, elas eram idênticas; em outros, havia apenas pequenas diferenças. Para os pesquisadores, esse padrão sugere que o surto pode ter começado a partir de uma exposição comum ao vírus, seguida de possível transmissão entre passageiros durante a viagem.A comparação genética também aproximou as amostras atuais de sequências do vírus Andes já registradas em humanos na Argentina, incluindo isolados relacionados a casos anteriores no país. Esse dado ajuda a direcionar a investigação para a região da Patagônia, mas ainda não permite cravar o local exato onde ocorreu o contato inicial com o vírus.