
Um dos nomes que passaram a levantar publicamente a comparação foi o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, personagem central no processo que culminou no impeachment de Dilma Rousseff.
Em artigo publicado nesta semana, Cunha afirmou que um eventual novo mandato de Lula poderia enfrentar dificuldades semelhantes às vividas por Dilma diante das derrotas recentes do governo no Congresso.A Leitura também apareceu nos bastidores do Senado durante discussões recentes envolvendo o governo. Em caráter reservado, senadores relataram pressão popular semelhante à observada em momentos de forte desgaste político do governo Dilma.
Mesmo assim, a comparação ainda encontra resistência entre parlamentares e interlocutores políticos. A avaliação predominante é que, embora exista desgaste crescente na relação entre Planalto e Congresso, o cenário atual ainda está distante do ambiente de ruptura institucional que marcou 2015 e 2016.Entre os pontos que alimentam as comparações entre o atual presidente Lula e a ex-presidente Dilma Roussef estão o aumento das derrotas do governo no Legislativo, a dificuldade crescente de consolidar maioria estável e a pressão constante do Centrão por mais espaço político e liberação de recursos.
Nos últimos meses, Lula enfrentou embates em torno de temas estratégicos teve que lidar com a insatisfação de aliados com a articulação política do governo. O cenário lembra, em parte, o processo gradual de deterioração da base de Dilma Rousseff antes do rompimento definitivo com o PMDB.A oposição também passou a explorar publicamente a narrativa de perda de governabilidade do governo.O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), divulgou relatório do chamado “Observatório da Oposição” apontando desgaste político do Planalto, derrotas recentes no Congresso e dificuldades de articulação do governo.O documento cita como exemplos episódios recentes envolvendo o governo no STF, além de associar o cenário político ao aumento do endividamento das famílias e à pressão econômica.“O governo tenta enfrentar a inadimplência sem corrigir as causas do problema”, aponta o relatório, que também relaciona o aumento do endividamento familiar à perda de capacidade política do Executivo. Já o deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) afirmou ao ND Mais que vê semelhanças econômicas entre os dois governos.Apolítica econômica é bem semelhante. Política expansionista, sem freio, começa a gerar os resultados na conta das pessoas. Foi mais ou menos o que aconteceu em 2014”, declarou Marcon sobre o início dos problemas de Dilma Roussef.Marcon também citou o aumento do endividamento das famílias e a pressão fiscal como fatores que podem ampliar o desgaste político do governo nos próximos anos.