A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro registros de conversas que indicam negociações para contratar influenciadores digitais com o objetivo de promover conteúdos favoráveis ao Banco Master.
O material faz parte de investigações que apuram a atuação do banco em meio a questionamentos sobre sua solidez e movimentações no sistema financeiro. As informações foram reveladas pela Agência Estado.
Negociação com agência de influência
Segundo a apuração, as tratativas envolvem a agência Spark, que atua com campanhas digitais e criadores de conteúdo.
Em nota, a empresa confirmou que recebeu, no fim de 2024, um pedido para orçar uma campanha relacionada ao Banco Master. No entanto, afirmou que decidiu não seguir com o projeto.
A justificativa, segundo a agência, foi de que a proposta era “eticamente incompatível” com os critérios internos — e que nenhum contrato foi firmado.
PF investiga estratégia digital
As mensagens analisadas pela PF incluem detalhes sobre formatos de conteúdo, como vídeos, publicações em redes sociais e repostagens.
Para os investigadores, os diálogos indicam que Vorcaro tinha conhecimento direto — ou ao menos acesso — às tratativas envolvendo influenciadores.
A apuração também mira outras iniciativas semelhantes. Segundo a investigação, há suspeita de que aliados do banqueiro tenham articulado campanhas para atacar autoridades do Banco Central do Brasil e influenciar o debate público após a crise do banco.
Influenciador citado nega participação
Renoir Vieira, influenciador do mercado financeiro, chegou a ser mencionado nas conversas, mas afirmou que não aceitou qualquer proposta e que suas manifestações sobre o tema foram opiniões próprias, sem vínculo comercial.
Procuradas, as defesas relacionadas ao caso têm negado irregularidades.
No caso das tratativas com influenciadores, a versão apresentada é de que não houve contratação efetiva nem execução de campanha.
A agência envolvida reforçou que interrompeu o processo ainda na fase inicial, sem avanço para acordos comerciais.
Preso desde março, Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer se houve uso estruturado de campanhas digitais para influenciar decisões ou a percepção pública sobre o Banco Master.