Educação financeira na infância ganha força diante do aumento do endividamento no Brasil

Métodos lúdicos de educação financeira na primeira infância ganham força diante do recorde de endividamento no Brasil. Um caso que chamou atenção foi o de um menino de 10 anos que gastou R$ 11,7 mil no Roblox, mostrando como crianças podem consumir sem entender o valor do dinheiro.

Um exemplo disso é o diálogo: “acabou meu dinheiro” — “o que você faz?” — “passo o cartão”. A cena, observada no projeto CriaFin, revela como o dinheiro é visto de forma abstrata pelas crianças.

A primeira infância (0 a 6 anos) é considerada uma fase decisiva, com intensa formação cerebral. Estudos indicam que até 90% da estrutura do cérebro se forma nesse período. A neuropsicóloga Chrissie Carvalho explica que é nessa fase que se constrói a base do desenvolvimento cognitivo.

O método CriaFin foi aplicado em mais de 100 crianças e ensina por meio de brincadeiras, dividido em três etapas:

  • o que é o dinheiro
  • como gastar
  • como conquistar
  

Atividades como mercadinho, trocas e simulações do dia a dia ajudam as crianças a entender escolhas. Professores relataram crianças negociando preços, emprestando dinheiro, economizando ou gastando por impulso, mostrando na prática a importância do aprendizado.

Especialistas destacam que o ensino deve acontecer de forma lúdica, sem “tirar a infância”. Brincadeiras simples, como fazer compras ou montar um bazar, ajudam a criança a entender que existe um sistema de troca.

Com o avanço do Pix e dos pagamentos digitais, o dinheiro ficou mais invisível, dificultando a compreensão. Muitas crianças nunca viram cédulas ou moedas, o que reforça a importância do uso do concreto no aprendizado.

Pequenos tiveram acesso a simulações de cenários reais, como o mercadinho, por exemploFoto: CriaFin/Divulgação/ND Mais

No Brasil, o tema já está presente na BNCC e foi reforçado por programas como “Na Ponta do Lápis”. Além disso, o ECA Digital trouxe regras para proteger crianças no consumo online, como:

  • controle de gastos pelos responsáveis
  • proibição de loot boxes
  • restrições à publicidade infantil
   

O problema é urgente: cerca de 49,9% dos brasileiros estão inadimplentes, somando mais de 81 milhões de pessoas. Especialistas apontam que muitos usam crédito como complemento de renda, tornando o endividamento crônico.

Projetos como o Curiosamente mostram que é possível trabalhar educação financeira junto com habilidades socioemocionais e matemática, ajudando no controle de impulsos e na tomada de decisões.

➡️ A longo prazo, a expectativa é que a educação financeira na infância ajude a formar adultos mais conscientes, reduzindo a inadimplência e até impactando a economia do país.




31/03/2026 – Rádio Cidade FM

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