
A proposta reconhece oficialmente uma prática cruel: quando o agressor não atinge diretamente a mulher, mas escolhe pessoas próximas a ela — principalmente filhos — para causar dor, controle ou punição emocional.
A violência vicária acontece quando o agressor:
O conceito vem da ideia de “substituição”: o sofrimento não é causado diretamente à mulher, mas através de alguém que ela ama.
Na prática, isso pode incluir:
Até então, esse tipo de violência não tinha tipificação clara no Código Penal. Isso significava que:
Com a mudança, o Estado passa a:
Segundo a relatora do projeto, a tipificação ajuda a evitar que episódios de violência evoluam para tragédias.
O debate ganhou força após casos recentes no Brasil, como o de um secretário municipal em Goiás, que matou os próprios filhos após um processo de separação — um exemplo extremo de como a violência vicária pode chegar ao nível mais grave.
Especialistas apontam que esse tipo de comportamento aparece, principalmente, em contextos de:
O projeto prevê aumento de pena em situações mais graves, como:
Nesses casos, a punição pode ser aumentada de 1/3 até metade da pena.
Durante a votação, houve críticas de parlamentares que questionaram o fato de a medida focar na proteção da mulher, argumentando sobre a possibilidade de situações inversas.
Ainda assim, o texto mantém o foco na violência de gênero, reconhecendo que esse tipo de prática ocorre, majoritariamente, em contextos de agressão contra mulheres.
A violência vicária revela algo profundo: o agressor não busca apenas ferir — ele busca atingir emocionalmente, destruir vínculos e exercer poder.
Ao reconhecer esse padrão, a lei dá um passo importante para proteger não só mulheres, mas também crianças e famílias inteiras que acabam no centro desse ciclo de violência.
