Operação Sem Desconto: os bastidores da investigação de fraude no INSS

Saiba mais sobre a operação deflagrada pela PF e CGU que revelou como fraude no INSS causou prejuízo de R$ 6,3 bilhões na previdência

A fraude no INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social) causou, entre 2019 e 2024, um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões no benefício recebido por mais de 9 milhões de brasileiros.

Considerada por especialistas uma das maiores fraudes na história do país, o evento levou à Operação Sem Desconto em abril de 2025, a fim de combater mais desvios e punir os envolvidos no esquema, e a abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar o caso e colher depoimentos.

   

O esquema consistia em desvios na aposentadoria feitos por entidades com ACTs (Acordos de Cooperação Técnica) com o INSS, que falsificavam documentos, assinaturas e áudios de beneficiários para autorizar os descontos indevidos. Empresas de fachada envolvidas com as entidades atuavam em dois ramos principais:

  • Recebendo quantias desviadas pelas associações, a fim de realizarem lavagem de dinheiro e atuarem como intermediárias repassando os ganhos indevidos para laranjas e demais envolvidos no esquema;
  • No desenvolvimento de ferramentas de elaboração de fichas de filiação fraudulentas, que falsificava assinaturas e documentos das vítimas.
    

Primeiras denúncias antes da Operação que revelou a fraude no INSS

   

As fraudes no INSS teriam sido alertadas a Carlos Lupi, na época Ministro da Previdência, ainda em junho de 2023. A discussão sobre o tema foi rejeitada na época por não estar presente na pauta dos tópicos abordados neste período.

    
carlos lupi é um homem grisalho, com barba e que veste terno azul. ilustra matéria sobre fraude no inss e operação sem desconto
O caso chegou a público a partir de uma reportagem do Portal Metrópoles publicada em dezembro de 2023, que denunciou a prática da Ambec (Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), uma das entidades com ACT (Acordo de Cooperação Técnica) associado ao INSS, de descontar R$ 45 mensais sem o consentimento dos aposentados.
    

Realização de auditorias e primeiras ações de combate à fraude no INSS

   
Em janeiro de 2024, o INSS mostrou como aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios do Instituto poderiam pedir o cancelamento de descontos não autorizados feitos em nome de associação, federação, ONGs ou entidades de classe, além do bloqueio de empréstimos consignados não solicitados.
   
Já em março de 2024, o órgão público suspendeu novos contratos de ACTs e alterou as regras de formalização das parcerias entre beneficiário e entidades, a fim de evitar nova fraude no INSS.
  
Entre abril e julho de 2024, a CGU (Controladoria-Geral da União) iniciou uma auditoria entrevistando 1.273 beneficiários de todos os estados brasileiros e Distrito Federal, resultando em:
  
  • 1.242 (97%) beneficiários do INSS informaram não ter autorizado o desconto;
  • 1.221 (95%) afirmaram não participar de associações;
  • Além de relatos mencionando dificuldades para identificar o desconto e solicitar cancelamento.
  
O número expressivo de beneficiários que relataram não ter ciência e/ou autorizado descontos na aposentadoria sinalizou que os descontos estariam ocorrendo de maneira indevida, reforçando indício de fraude no INSS.
  

Início da Operação Sem Desconto

   
Com início em abril de 2025, CGU e Polícia Federal deflagram a Operação Sem Desconto, com o objetivo de combater o esquema de fraude no INSS. Cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU cumprem 211 mandados judiciais de busca e apreensão, além de ordens de sequestro de bens acima de R$ 1 bilhão e seis mandados de prisão temporária.
   
Ainda em abril, foram suspensos todos os acordos de cooperação técnica que permitem a cobrança de mensalidades associativas descontadas do órgão público. O escândalo também levou à demissão de Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência, e à exoneração de Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, que foi preso em novembro.
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, é um homem branco, grisalho e com feição séria, que usa terno azul claro. ilustra matéria sobre fraude no INSS
Em setembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Cambota, um desdobramento da Operação Sem Desconto que apura crimes de impedimento ou embaraço de investigação de organização criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, além da possível obstrução da investigação por parte de alguns investigados.
   
Setembro também foi o mês da prisão preventiva de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, considerado uma peça chave entre os envolvidos na fraude no INSS e apontado como um dos principais responsáveis pelas empresas de fachada que realizavam os descontos indevidos.



24/03/2026 – Rádio Cidade FM

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