
A evasão no ensino superior brasileiro segue em níveis preocupantes — especialmente na educação à distância. Dados do Mapa do Ensino Superior 2026, elaborado pelo Semesp, revelam que 41,6% dos alunos da EAD abandonaram a graduação em 2024 antes de concluir o curso.
No ensino presencial, a situação também chama atenção: a taxa de evasão chegou a 24,8% no mesmo período.
👉 Evasão é quando o estudante abandona ou desiste do curso antes de se formar, rompendo o vínculo com a instituição.
O problema vai além dos números: ele revela falhas na permanência dos alunos, mesmo com o aumento no acesso ao ensino superior.
Em 2024, a educação à distância passou a ser dominante no Brasil:
50,7% das matrículas estão na EAD
Modalidade cresce mais rápido que o presencial
Mas também lidera a evasão
Segundo o estudo, a maior parte dessas matrículas está na rede privada, que concentra 95,9% dos alunos da EAD.
Os dados mostram uma diferença clara entre público e privado:
Privada: 41,9% de evasão
Pública: 32,2%
Privada: 26,6%
Pública: 21,4%
➡️ O cenário reforça a desigualdade entre as redes e levanta questionamentos sobre qualidade e suporte ao aluno.
Para especialistas do Semesp, o principal fator é o modelo de ensino.
Cursos EAD exigem:
alto nível de autonomia
menos interação com professores
aulas majoritariamente assíncronas
Segundo o diretor Rodrigo Capelato, esse formato — mais barato e escalável — acaba dificultando a permanência dos estudantes.
Quando se analisa o período completo da graduação, os números são ainda mais alarmantes:
64,7% dos alunos da rede privada abandonam o curso ao longo dos anos
Na EAD, esse número sobe para 68,1%
➡️ Ou seja: quase 2 em cada 3 estudantes não se formam
O levantamento mostra que a evasão é maior entre alunos mais velhos:
67,3% dos estudantes da EAD têm 25 anos ou mais
Muitos precisam conciliar estudo, trabalho e renda
➡️ A dificuldade de manter essa rotina é um dos principais motivos da desistência.
Outro dado importante envolve o tamanho das instituições:
Grandes grupos educacionais: 69,2% de evasão
Instituições pequenas: 53,3%
➡️ O modelo de ensino em larga escala, comum na EAD, está diretamente ligado a esse cenário.
Apesar do crescimento de 2,5% nas matrículas entre 2023 e 2024, o estudo aponta um problema central:
👉 O Brasil está conseguindo matricular mais — mas não consegue formar na mesma proporção.
A taxa de permanência segue baixa, principalmente:
na rede privada
nos cursos à distância
📊 Concentração do setor
Apenas 1,2% das instituições privadas concentram 55,1% das matrículas
📚 Mudança no perfil das instituições
Centros universitários cresceram 201% em 10 anos
Faculdades perderam espaço
👨🎓 Poucos jovens chegam à faculdade
Apenas 20,8% dos jovens (18 a 24 anos) estão no ensino superior
📖 Cursos mais procurados
Direito, Administração, Enfermagem, Psicologia e Pedagogia
💰 Financiamento em queda
FIES representa menos de 1% dos ingressantes
Prouni atende cerca de 3,1%
Para os pesquisadores, a evasão deixou de ser pontual e se tornou um problema estrutural do ensino superior brasileiro.
A conclusão é clara:
ampliar acesso não é suficiente
é preciso investir em permanência
apoio ao aluno e financiamento são essenciais
✔️ 41,6% dos alunos da EAD abandonam o curso
✔️ Presencial também preocupa: 24,8%
✔️ Rede privada concentra maior evasão
✔️ 2 em cada 3 alunos não se formam na EAD
✔️ Problema é estrutural no Brasil
