A rejeição de Erika Hilton (PSOL) à frente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados é alta entre a maioria dos entrevistados, segundo pesquisa da Realtime Big Data realizada nos dias 17 e 18 de março de 2026. O levantamento aponta que 84% deles discordam da escolha, enquanto apenas 16% afirmam concordar.
O estudo ouviu 1.200 eleitores em todo o país, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Entre os jovens de 16 a 34 anos, a rejeição de Erika Hilton também é predominante: 75% discordam da indicação, contra 25% que dizem concordar. Apesar de ser a faixa etária com menor resistência relativa, o índice ainda indica maioria contrária. Nas demais faixas etárias, a discordância é ainda mais elevada: 86% entre 35 e 59 anos e 92% entre os maiores de 60 anos.
A pesquisa também revela diferença por gênero: 88% das mulheres discordam da escolha, enquanto entre os homens o índice é de 80%.
Recorte por renda e religião
A rejeição de Erika Hilton se mantém elevada em diferentes perfis socioeconômicos. Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, 85% discordam da escolha. Já entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, a discordância recua, mas segue majoritária, com 73%.
No recorte religioso, segundo a pesquisa, os evangélicos apresentam o maior índice de rejeição, com 95% de discordância, enquanto entre católicos o percentual é de 77%.
Rejeição de Erika Hilton e a polêmica com Ratinho
A repercussão do caso ganhou força após declaração do apresentador Ratinho, durante programa exibido no SBT. Ao comentar a eleição, ele questionou o gênero da deputada e criticou sua escolha para o cargo.
“Não achei muito justo. Tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Se tem outras mulheres… mulher mesmo”, afirmou.
A fala foi classificada por Erika Hilton como transfóbica. A deputada ingressou com pedido de ação criminal no MPSP (Ministério Público de São Paulo) e no MPF (Ministério Público Federal), além de solicitar indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos contra o apresentador e a emissora.
O Ministério Público Federal aceitou o pedido e ajuizou ação civil pública. Segundo a ação, o valor de eventual condenação deverá ser destinado à proteção de vítimas de violência. Em publicação nas redes sociais, a deputada reagiu: “Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é e sempre será um rato”.
Erika Hilton também acionou o Ministério das Comunicações pedindo a suspensão do programa por 30 dias, sob o argumento de que o uso de concessão pública para disseminar discurso discriminatório pode configurar abuso.
Ratinho se defendeu e afirmou que “crítica política não é preconceito”. O SBT declarou repudiar discriminação e informou que a opinião do apresentador não representa a posição da emissora.
A mesma pesquisa mediu a repercussão do episódio envolvendo a parlamentar e o apresentador: 61% dos entrevistados disseram que a fala foi correta e fariam o mesmo comentário, enquanto 20% consideraram correta, mas exagerada, e 19% classificaram como preconceituosa.
Posse e promessas da nova gestão
Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher no último dia 11 de março, com 11 votos favoráveis e 10 em branco, substituindo a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).
No discurso de posse, destacou o caráter simbólico da eleição, tornando-se a primeira mulher trans a presidir o colegiado, e afirmou que pretende conduzir uma gestão voltada à diversidade.
“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres”, disse.
A mesa diretora foi composta ainda por Laura Carneiro (PSD-RJ), Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) e Socorro Neri (PP-AC) nas vice-presidências.
Entre as prioridades anunciadas estão:
- fiscalização da rede de proteção às mulheres
- enfrentamento à violência política de gênero
- ampliação de políticas de saúde integral
Oposição contesta eleição e aponta irregularidades
A eleição passou a ser questionada pela oposição no Congresso. Um recurso apresentado pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ) ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pede a revisão do resultado.
Segundo o documento, houve “ausência de legitimidade democrática” no processo. Na primeira votação, a chapa liderada por Erika Hilton recebeu 10 votos favoráveis, enquanto 12 parlamentares votaram em branco, o que, segundo a oposição, indicaria rejeição da maioria dos integrantes.
Tonietto argumenta ainda que não havia opção de voto contrário, o que tornaria o voto em branco a única forma de manifestação de discordância. Apesar disso, uma segunda votação foi realizada e confirmou a eleição.
19/03/2026 – Rádio Cidade FM