Durante o depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, o fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, afirmou, nesta quarta-feira (18), que Daniel Vorcaro seria, na prática, apenas o “rosto” do banco.
Na visão dele, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, seria apenas um “pau mandado” de um nome oculto da empresa. E o empresário Nelson Tanure estaria entre os verdadeiros centros de decisão. “É uma das cabeças, talvez a mais alta da hierarquia”, disse.
Conforme o gestor, Vorcaro teria sido colocado para representar o banco publicamente e fazer articulações, enquanto decisões estratégicas ocorreriam nos bastidores.
Quem é apontado como “sócio oculto” de Vorcaro
O nome de Nelson Tanure não surgiu apenas no depoimento. Investigadores já o tratam como possível sócio oculto do Banco Master.
Um documento da Procuradoria da República de São Paulo descreve o investidor como beneficiário final de estruturas financeiras ligadas ao banco, com influência exercida por meio de fundos e empresas interligadas.
O histórico do investidor citado
O empresário cosntruiu sua reputação no mercado ao apostar em empresas que atravessam momentos delicados. A sua estratégia costuma seguir um padrão, ele adquire participações quando os ativos estão desvalorizados e, a partir daí, pressiona por mudanças na gestão.
Essa atuação já apareceu em diferentes setores. No ramo de telecomunicações, por exemplo, esteve ligado a movimentos envolvendo Oi e Telemar. Na construção civil, passou pela Gafisa. Também teve presença no setor de mídia, com o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil.
CPI do Crime Organizado amplia investigação e convoca novos depoentes no caso Master
A CPI do Crime Organizado ampliou o foco das investigações nesta quarta-feira (18) ao aprovar a convocação de novos depoentes ligados ao caso do Banco Master.
Além da modelo e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, outros sete nomes foram chamados para prestar esclarecimentos.
Um pedido para ouvir o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a ser analisado, mas acabou rejeitado. Já a convocação de uma ex-assessora de Michelle Bolsonaro foi retirada de pauta após questionamentos sobre a fundamentação do requerimento.
No caso de Martha Graeff, a CPI considera que ela pode ajudar a esclarecer pontos relevantes da investigação, já que teria sido interlocutora frequente de Vorcaro durante o período analisado. Conversas obtidas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro compartilhava com ela informações sobre encontros e movimentações envolvendo figuras públicas.
Com a convocação aprovada, o depoimento passa a ser obrigatório, embora ainda exista a possibilidade de questionamento no STF (Superior Tribunal Federal).