
Para muitos trabalhadores do interior de São Paulo, fazer compras no supermercado significa gastar vários dias de trabalho apenas com alimentos básicos.
Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), um trabalhador que recebe salário mínimo pode precisar trabalhar cerca de 120 a 128 horas por mês para comprar uma cesta básica em cidades com preços semelhantes aos da capital paulista.
Isso significa que quase metade do salário vai apenas para alimentação.
Em São Paulo, onde os preços servem como referência para grande parte do estado, a cesta básica chega a exigir cerca de 127 horas e 56 minutos de trabalho para ser comprada.
Na prática, isso equivale a mais de 15 dias de trabalho considerando uma jornada de 8 horas por dia.
Embora cidades do interior — como Marília, Presidente Prudente, Tupã ou Assis — tenham custo de vida um pouco menor, os preços dos alimentos costumam seguir a tendência da capital, já que a distribuição e os fornecedores são os mesmos.
Entre os alimentos que mais pressionam o orçamento estão:
carne bovina
café
tomate
leite
pão
Alguns desses itens tiveram altas significativas nos últimos meses, o que mantém a cesta básica em patamar elevado mesmo quando alguns produtos caem de preço.
Especialistas em consumo recomendam algumas estratégias simples para reduzir os gastos com alimentação:
Cidades do Oeste Paulista têm ampliado redes de atacado, onde produtos básicos costumam ser mais baratos.
Frutas e verduras produzidas na região ficam mais baratas em determinadas épocas do ano.
Planejar as compras evita gastar com itens desnecessários.
Carnes e refeições preparadas podem ser congeladas, evitando desperdício.
Cortes mais baratos, frango ou ovos podem reduzir bastante o valor da compra.
O levantamento mostra como o preço da comida pesa no orçamento das famílias brasileiras.
Em média, o trabalhador precisa dedicar mais de 100 horas de trabalho por mês apenas para garantir a alimentação básica, um indicador usado por economistas para medir o poder de compra da população.
Para muitas famílias do interior paulista, a solução tem sido buscar promoções, comprar em maior quantidade ou adaptar o cardápio para caber no bolso.
