A cientista brasileira que criou a primeira vacina 100% nacional contra a dengue

Durante décadas de trabalho silencioso em laboratório, a pesquisadora Neuza Frazzati ajudou a construir um marco para a ciência brasileira: a primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue.

  

O imunizante foi desenvolvido no Instituto Butantan e começou a ser aplicado no Brasil após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A vacina, chamada Butantan-DV, representa um passo histórico no combate a uma doença que décadas afeta milhões de brasileiros.

📊 Desde os anos 2000:

  • mais de 25 milhões de pessoas tiveram dengue no Brasil

  • mais de 18 mil mortes foram registradas

  

💉 Uma vacina inédita no mundo

  
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A vacina desenvolvida pela equipe liderada por Neuza tem características que chamam atenção no cenário internacional.

Dose única
Produção totalmente brasileira
Proteção contra os quatro tipos do vírus da dengue

Nos estudos clínicos com mais de 16 mil voluntários, o imunizante mostrou resultados importantes:

  • 75% de eficácia contra a doença

  • mais de 90% de proteção contra casos graves e hospitalizações

 

Esse dado é considerado crucial porque as formas graves da dengue são as que causam maior risco de morte.


🧪 Décadas de experiência até chegar à vacina

  
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A trajetória de Neuza no Butantan começou ainda na década de 1980.

Formada em biologia e doutora em biotecnologia pela Universidade de São Paulo, ela iniciou a carreira trabalhando com pesquisas sobre influenza.

Mais tarde, passou a desenvolver tecnologias para vacinas humanas — incluindo um projeto inovador para vacina contra a raiva, que evitava o uso de tecidos animais.

Esse trabalho levou ao uso de células Vero, tecnologia moderna de cultivo viral, e acabou sendo licenciado pela Anvisa em 2008.

A descoberta rendeu à pesquisadora o Prêmio Péter Murányi de Saúde, reconhecimento internacional na área científica.

Toda essa experiência acumulada se tornaria essencial para enfrentar o desafio seguinte: criar uma vacina contra a dengue.


🦟 O desafio científico da dengue

  
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/abril/entenda-o-que-e-a-dengue-grave-e-como-e-o-tratamento/macro-mosquito-aedes-aegypti-sucking-blood-close-up-human-skin-1.jpg/%40%40images/4cf09cb3-b9ef-4bb9-b2d2-0bce50301545.jpeg

Desenvolver uma vacina contra a dengue é um dos desafios mais complexos da medicina.

Isso acontece porque o vírus possui quatro sorotipos diferentes.

Uma vacina precisa proteger contra todos eles ao mesmo tempo, sem causar desequilíbrio na resposta do sistema imunológico.

O projeto começou entre 2006 e 2007, quando o Brasil enfrentava surtos com centenas de mortes.

Foram:

  • mais de 200 experimentos em laboratório

  • anos de testes científicos

  • uma equipe de cerca de 50 pesquisadores

  

Um dos obstáculos técnicos era a estabilidade da vacina para transporte em um país continental como o Brasil.

A solução encontrada foi a liofilizaçãoprocesso que transforma o imunizante em , facilitando transporte e armazenamento. A vacina volta ao estado líquido no momento da aplicação.


🇧🇷 Vacina começa a chegar aos brasileiros

  
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A vacina foi aprovada pela Anvisa no final de 2025 e começou a ser distribuída em 2026.

Neste primeiro momento, a imunização está sendo aplicada em grupos prioritários, como profissionais de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a expectativa é ampliar a vacinação para pessoas entre 15 e 59 anos até o segundo semestre.

Atualmente, o Brasil usa outra vacina contra dengue no SUS, a Qdenga. Porém ela é importada e exige duas doses, o que limita a disponibilidade e aumenta os custos.

A vacina brasileira pode mudar esse cenário.


📉 O impacto esperado na dengue no Brasil

  

Especialistas afirmam que vacinar cerca de 50% da população pode reduzir drasticamente o número de casos.

Para ter ideia da dimensão do problema:

📊 Em 2025:

  • cerca de 1,4 milhão de casos de dengue

  • aproximadamente 1.700 mortes

 

Com alta cobertura vacinal, pesquisadores acreditam que o Brasil pode reduzir drasticamente as mortes pela doença.

Erradicar completamente a dengue ainda é difícil porque depende do controle do mosquito Aedes aegypti, que se adapta facilmente ao clima tropical.


🧠 A missão de uma cientista

  

Para Neuza Frazzati, a vacina representa mais que um avanço científico.

Segundo ela, é o resultado de uma vida inteira dedicada à ciência e à saúde pública.

Acho que todo mundo tem uma missão na vida. A minha foi deixar uma vacina contra a dengue que possa diminuir o sofrimento das pessoas.”

Hoje, o trabalho de décadas no laboratório começa a se transformar em algo concreto: proteção para milhões de brasileiros contra uma das doenças mais persistentes do país.




12/03/2026 – Rádio Cidade FM

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