
O chamado efeito sanfona — quando a pessoa perde peso e depois volta a ganhar rapidamente — costuma ser visto como um grande problema para quem tenta emagrecer. A frustração é comum: meses de dieta e esforço parecem se perder em poucas semanas.
Mas um novo estudo científico publicado na revista BMC Medicine aponta que essa oscilação de peso pode ter alguns efeitos positivos no organismo, especialmente quando analisada ao longo de vários anos.
➡️ O efeito sanfona acontece quando uma pessoa passa por ciclos repetidos de emagrecimento e ganho de peso em um curto período.
Esse processo pode ocorrer por diversos motivos:
dietas muito restritivas
dificuldade em manter novos hábitos alimentares
mudanças na rotina ou estilo de vida
metabolismo adaptando-se às dietas
Durante muito tempo, acreditava-se que esse fenômeno só causava prejuízos à saúde. No entanto, novas pesquisas começam a mostrar que a realidade pode ser mais complexa.
Um dos principais pontos analisados pelos pesquisadores foi a chamada gordura visceral.

👉 Gordura visceral é a gordura que se acumula dentro da cavidade abdominal, ao redor de órgãos importantes como:
fígado
intestino
pâncreas
Ela é considerada mais perigosa do que a gordura localizada sob a pele, porque está associada a problemas como:
síndrome metabólica
diabetes tipo 2
hipertensão
doenças cardiovasculares
Os pesquisadores perceberam que, mesmo quando os participantes recuperavam o peso perdido, eles não voltavam exatamente ao mesmo estado metabólico de antes.
Segundo Iris Shai, professora da Ben-Gurion University e uma das autoras principais da pesquisa:
“Os participantes puderam recuperar o peso mantendo uma distribuição de gordura abdominal mais favorável, além de melhor sensibilidade à insulina e perfil lipídico mais saudável.”
Ou seja:
✔️ menos gordura visceral
✔️ melhor controle da insulina
✔️ níveis de colesterol mais equilibrados
Mesmo após o peso voltar a subir.
Os cientistas identificaram um fenômeno interessante chamado memória cardiometabólica.

➡️ Isso significa que o corpo pode “guardar” alguns benefícios do período em que a pessoa emagreceu, mesmo que parte do peso seja recuperada depois.
Entre os efeitos observados:
melhora entre 15% e 25% em marcadores metabólicos
menor acúmulo de gordura abdominal ao longo do tempo
tendência a recuperar menos peso nas tentativas seguintes
Isso sugere que tentar emagrecer várias vezes pode gerar benefícios cumulativos para o organismo.
A pesquisa acompanhou participantes por até 10 anos, algo considerado raro nesse tipo de investigação.
📊 Dados do estudo:
cerca de 500 participantes
dois grandes ensaios clínicos
duração de 18 meses cada programa de dieta
acompanhamento de 5 e 10 anos
Os voluntários seguiram principalmente:
dieta mediterrânea
programas de atividade física
Além disso, os pesquisadores utilizaram ressonância magnética para medir com precisão a gordura abdominal antes e depois das intervenções.
Um dos principais pontos destacados pelos cientistas é que avaliar o sucesso do emagrecimento apenas pela balança pode ser um erro.
Segundo Iris Shai:
“Idealmente, o sucesso deveria ser medido pelas mudanças na gordura abdominal — especialmente a gordura visceral.”
Isso significa que duas pessoas com o mesmo peso podem ter níveis de risco muito diferentes, dependendo da quantidade de gordura acumulada nos órgãos internos.
Apesar das descobertas positivas, os especialistas alertam que o efeito sanfona não deve ser considerado saudável ou desejável.
Outros estudos mostram que oscilações frequentes de peso podem aumentar o risco de:
diabetes
pressão alta
doenças cardiovasculares
Por isso, o ideal continua sendo manter uma perda de peso gradual e sustentável.
Os cientistas ainda querem investigar melhor alguns pontos:
🔎 Entre os próximos objetivos do estudo estão:
analisar se os resultados se repetem em populações mais diversas
estudar o papel da alimentação e da atividade física nesses benefícios
entender os mecanismos biológicos envolvidos no processo
Outro detalhe importante: a maioria dos participantes era homem com sobrepeso, o que significa que mais estudos ainda são necessários.
✅ Conclusão:
O estudo indica que perder peso nunca é um esforço perdido, mesmo quando parte do peso retorna. O cor o pode manter melhoras metabólicas importantes, especialmente na redução da gordura visceral e na saúde cardiovascular.
