
O modelo escolhido terá capacidade de atingir até 160 km/h e será baseado em uma composição já utilizada no Chile, o SFB-500, fabricado pela empresa chinesa CRRC Sifang para a estatal ferroviária chilena EFE (Empresa de los Ferrocarriles del Estado).
O modelo chileno começou a operar em 2024 no serviço inter-regional entre Santiago e Chillán.
A previsão inicial é que o trem opere a 140 km/h, embora possa alcançar 160 km/h.
Com essa velocidade, o trajeto entre São Paulo e Campinas poderá ser feito em cerca de 64 minutos, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento atual entre a capital paulista e o interior.
A composição utilizada como referência possui:
4 carros
cerca de 104 metros de comprimento
capacidade para 236 passageiros sentados
As composições também poderão operar em unidade múltipla, permitindo o acoplamento de dois trens e formando conjuntos de até oito carros.

Entre as características técnicas divulgadas para o novo trem estão:
Potência instalada: 3.000 kW
Aceleração: 0,7 m/s²
Frenagem de emergência: até 2,5 m/s²
Peso total: cerca de 207 toneladas
O interior contará com estrutura voltada ao conforto e à segurança dos passageiros, incluindo:
três sanitários (um adaptado para pessoas com mobilidade reduzida)
carro com serviço de cafeteria
climatização independente
câmeras internas de segurança
sensores de fumaça e incêndio

O Trem Intercidades – Eixo Norte terá inicialmente oito composições e deve entrar em operação em 2031.
A concessão foi vencida pela empresa TIC Trens, formada pelo Grupo Comporte e pela fabricante chinesa CRRC.
Além do serviço expresso entre São Paulo e Campinas, também será implantado o Trem Intermetropolitano (TIM), ligando Jundiaí a Campinas, com paradas em:
Valinhos
Vinhedo
Louveira
As obras de implantação estão previstas para começar ainda neste ano e incluem também a modernização da Linha 7-Rubi, que conecta São Paulo a Jundiaí.
Especialistas em mobilidade defendem que o projeto pode servir de base para uma rede maior de trens intercidades no interior de São Paulo.
Essa hipótese já foi discutida em estudos de planejamento ferroviário realizados por instituições como o Instituto de Engenharia de São Paulo e por especialistas em transporte.
Um dos nomes que já comentou a possibilidade de expansão desse modelo é o engenheiro ferroviário Jean Pejo, que foi diretor de planejamento da CPTM e consultor de projetos de mobilidade no país. Segundo ele, corredores ferroviários regionais podem ser viáveis em distâncias entre 100 e 300 quilômetros, especialmente em estados com alta concentração urbana como São Paulo
Dentro dessa lógica, algumas rotas frequentemente citadas em estudos e debates sobre mobilidade incluem:
Campinas – Ribeirão Preto
Campinas – Sorocaba
Campinas – São José dos Campos
Bauru – Marília – Presidente Prudente
Essas regiões concentram universidades, polos industriais e grandes centros urbanos, o que poderia gerar demanda suficiente para serviços ferroviários de média velocidade.
Durante o século XX, o estado de São Paulo possuía uma extensa malha ferroviária de passageiros que conectava diversas cidades do interior.
Com o avanço das rodovias, muitas dessas linhas deixaram de transportar passageiros.
Agora, projetos como o Trem Intercidades voltam a levantar a possibilidade de um renascimento das viagens ferroviárias regionais, oferecendo uma alternativa mais rápida, confortável e sustentável para deslocamentos entre cidades do interior paulista.
