Multinacional de Jaraguá do Sul completa 65 anos e mira em mercado trilionário, investe pesado em Santa Catarina e enfrenta volatilidade na bolsa com estratégias ousadas O maior parque fabril de motores elétricos do planeta fica em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, uma cidade com menos de 200 mil habitantes e a
segunda mais segura do Brasil, que viu a economia crescer com a operação da WEG. É de lá que a multinacional coordena uma operação global que fechou 2025 com
faturamento líquido de R$ 40,8 bilhões.
Presença industrial em dezenas de países e quase 50 mil funcionários, desses ao menos 16 mil estão espalhados pelo mundo, a gigante da tecnologia de motores e de energia limpa decidiu manter a estratégia que a trouxe até aqui: investir pesado, produzir perto do cliente e pensar o crescimento no longo prazo.
Bilhões em jogo: novas fábricas e mil empregos no radar
Entre os movimentos mais relevantes está o anúncio de R$ 1,1 bilhão em uma nova fábrica na cidade vizinha à sede, o município de Guaramirim. Com 730 mil metros quadrados de área, a multinacional garante que vai gerar cerca de mil empregos diretos quando as operações iniciarem.
A capacidade de produção também vai ganhar novo fôlego em 2026, com investimentos de R$ 87 milhões no aumento da verticalização dos processos produtivos, dessa vez, em Itajaí, no Litoral Norte catarinense.
A construção de uma serralheria específica para a fabricação de peças e invólucros para inversores de frequência, soft-starters e chaves especiais será uma nova fábrica de tomadas e interruptores, para atender o mercado de infraestrutura predial, comercial e residencial.
Com o
investimento bilionário em Santa Catarina, a expansão fabril da WEG S.A. ganhou incentivos do Governo do Estado com o TTD (Tratamento Tributário Diferenciado) 489. O contrato, assinado pelo governador Jorginho Mello e pelo CEO Alberto Kuba, garante incentivos fiscais à multinacional até 2029.
Sonhar grande com os pés no chão”
À frente da engrenagem está o ex-estagiário, hoje engenheiro elétrico, Alberto Kuba, que assumiu a presidência em 2024. Em entrevista à revista Exame, o executivo foi direto ao resumir a filosofia da empresa: “Sonhar grande com os pés no chão é o que nos trouxe até aqui”.
Segundo Kuba, o momento atual não é de freio, mas de aceleração consciente. “Eficiência energética, digitalização e energias renováveis não são tendência, são realidade. Se quisermos participar desse jogo, precisamos investir agora”, afirmou em entrevista à revista.

Paralelamente, a empresa expandiu operações no México, Colômbia e Estados Unidos. Para o CEO, o desafio agora vai além de erguer fábricas. “Não é só construir planta lá fora. É consolidar a WEG como uma marca global”, disse à Exame. E a internacionalização virou escudo estratégico. No início dos anos 2000, toda a produção era exportada do Brasil. Hoje, são dezenas de fábricas fora do país, incluindo nove nos Estados Unidos, seis na China e cinco na Índia.“Em 2001 fizemos o primeiro bilhão de reais. Em 2025 passamos de R$ 40 bilhões. Crescemos 40 vezes com produção espalhada pelo mundo”, disse Kuba. Segundo ele, esse modelo reduziu impactos de tensões comerciais, como o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump e a disputa entre Estados Unidos e China. “Quando você tem produção local, o risco geopolítico cai drasticamente.”
Transição energética: discurso ou motor real de crescimento?
Na WEG, a transição energética deixou de ser slogan e virou eixo central da estratégia. A empresa atua em quatro frentes: eficiência energética, automação e digitalização industrial, energias renováveis e mobilidade elétrica.
A melhor energia é aquela que você não precisa gerar. Eficiência é o primeiro passo da transição”, afirmou o CEO. O posicionamento acompanha uma demanda global crescente por descarbonização, eletrificação e modernização de parques industriais.Apesar do porte industrial, Kuba insiste que o maior diferencial não está nas máquinas. “A estratégia desenha o plano, mas quem entrega resultado é a cultura”, disse.Por isso, desde 1968, a companhia mantém um centro próprio de formação técnica com jovens que entram aos 16 anos já contratados, com salário, benefícios e participação nos resultados. Mais de 5 mil profissionais já passaram pelo programa.Uma frase atribuída aos fundadores resume a lógica interna: “Quando faltam máquinas, você compra. Quando falta dinheiro, você pede emprestado. Mas pessoas motivadas você não compra nem pede emprestado.”
A aposta não é pequena. O mercado global de equipamentos elétricos já movimenta trilhões de dólares e deve mais que dobrar na próxima década. Nesse tabuleiro, a empresa brasileira disputa espaço com nomes como Siemens, ABB, Schneider Electric, GE Vernova e Rockwell Automation.O diferencial está na verticalização da produção, na proximidade com o cliente final e na formação interna de talentos, uma combinação difícil de replicar rapidamente.
Bolsa em queda, operação em alta
Mesmo com números operacionais robustos, as ações da companhia recuaram cerca de 8% em 2025. No lucro líquido, o resultado foi positivo: R$ 6,3 bilhões no acumulado do ano, alta de 5,5%.Para a gestão, oscilações de curto prazo não mudam o foco. “Quando a gente olha tudo o que ainda pode fazer, parece que estamos só começando”, concluiu Kuba.
04/03/2026 – Rádio Cidade FM