De aliados a rivais: o que explica a escalada do conflito entre Paquistão e Afeganistão

Após meses de tensão na fronteira, Paquistão e Afeganistão entraram em confronto direto. O governo paquistanês declarou estar em “guerra aberta” e realizou bombardeios contra cidades afegãs. Em resposta, o Talibã lançou ataques com drones contra instalações militares do Paquistão.

A troca de ataques marca o momento mais grave da crise entre os dois países desde que o Talibã retomou o poder no Afeganistão, em 2021.


🔎 De aliados históricos a adversários

Paquistão e Afeganistão entram em confronto intenso após dias de tensão na  fronteira

Durante décadas, o Paquistão foi o principal aliado do Talibã afegão. Nos anos 1990, apoiou a consolidação do grupo no poder como estratégia para ampliar sua influência regional, especialmente na rivalidade com a Índia.

Quando o Talibã voltou ao comando do Afeganistão em 2021, o governo paquistanês inicialmente saudou o retorno do grupo. No entanto, a relação começou a se deteriorar por dois fatores principais:

  • A aproximação diplomática entre Afeganistão e Índia, vista com desconfiança por Islamabad.

  • O aumento da violência do grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) dentro do território paquistanês.


⚠️ O papel do TTP na escalada da crise

O Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como “Talibã do Paquistão”, trava uma insurgência contra o Estado paquistanês desde 2007. O grupo defende a implementação de um regime islâmico rígido no país.

Nos últimos meses, os ataques atribuídos ao TTP aumentaram significativamente, incluindo atentados suicidas contra mesquitas, tribunais e forças de segurança.

O Paquistão acusa o Afeganistão de permitir que líderes e combatentes do TTP utilizem o território afegão como base para planejar e lançar ataques. Cabul nega as acusações e afirma que não permite ações contra países vizinhos a partir de seu território.

Por sua vez, o governo afegão acusa o Paquistão de abrigar militantes ligados ao Estado Islâmico — alegação que Islamabad também rejeita.


💣 O estopim recente

A atual escalada começou após uma série de atentados e operações militares:

  • O Paquistão realizou ataques aéreos no Afeganistão contra alvos que classificou como bases militantes.

  • Autoridades afegãs afirmaram que civis morreram nos bombardeios.

  • Dias depois, ataques reivindicados pelo TTP mataram policiais e civis no Paquistão.

  • Em resposta, Islamabad intensificou sua ofensiva, declarando estar em “guerra aberta”.

O ciclo de ataques e retaliações aprofundou a crise diplomática e militar.


📊 Desigualdade militar e riscos regionais

O Paquistão possui uma força militar significativamente maior, com mais de 600 mil soldados na ativa e arsenal nuclear. Já o Talibã conta com cerca de 170 mil combatentes.

Apesar da diferença de poder militar, especialistas alertam que o conflito pode se prolongar por meio de ataques localizados na fronteira e ações indiretas de grupos insurgentes.


🌍 O que pode acontecer agora?

Analistas apontam dois cenários possíveis:

  1. Intensificação das operações militares paquistanesas, especialmente na fronteira.

  2. Pressão internacional por um novo acordo diplomático, possivelmente mediado por países como Turquia, Catar ou Arábia Saudita.

Ambos os lados têm interesses estratégicos e riscos elevados caso o conflito se amplie. A instabilidade pode afetar o comércio regional, a segurança interna e o equilíbrio geopolítico do Sul da Ásia.




27/02/2026 – Rádio Cidade FM

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