

A União Europeia aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul para garantir a chamada “vantagem do pioneirismo”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A decisão foi anunciada após Argentina e Uruguai concluírem a ratificação do tratado e ocorre apesar da oposição da França. Segundo von der Leyen, a Comissão dará andamento à aplicação provisória, mas o acordo só será plenamente concluído após aprovação do Parlamento Europeu.
No Mercosul, o Uruguai foi o primeiro país a ratificar o texto, com aprovação na Câmara e no Senado. A Argentina tornou-se o segundo, após aval do Senado. Brasil e Paraguai também avançam nos trâmites legislativos: no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que agora segue para o Senado; no Paraguai, o processo está em andamento.
De acordo com a Comissão Europeia, cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações do bloco serão eliminados. Alemanha e Espanha defendem o pacto como forma de compensar perdas provocadas por tarifas dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais estratégicos.
Já a França, maior produtora agrícola da União Europeia, lidera críticas ao acordo. O país argumenta que a medida pode ampliar importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, afetando agricultores europeus.
Paralelamente, o Parlamento Europeu encaminhou o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliar sua legalidade. A decisão pode atrasar a entrada em vigor do tratado por vários meses, enquanto o tribunal analisa o caso.
A Comissão Europeia mantém a defesa da aplicação provisória, afirmando que o bloco precisa ampliar o acesso a novos mercados, enquanto o acordo segue em discussão política no continente.
