Defesa dos influenciadores afirma que a sentença representa a ‘vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual’ O influenciador Hytalo Santos e o marido Israel Vicente, conhecido como Euro, foram condenados a mais de oito anos de prisão. A sentença proferida no último sábado (22) pela Justiça da Paraíba considerou o casal culpado por produzir conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolecentes. Hytalo Santos recebeu pena de 11 anos e quatro meses de detenção, enquanto Euro recebeu de 8 anos e dez meses, segundo informações do jornalista Leo Dias. O artigo 240 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) estabelece pena de quatro a oito anos de prisão pelo crime de “produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente”.
A pena é aumentada em um terço se o crime é cometido nas seguintes condições:
- no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la;
- prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade;
- prevalecendo-se de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento.
Hytalo Santos e o marido foram acusados de produzir conteúdo com conotação sexual de crianças e adolescentes para as redes sociais. Os menores
faziam parte da chamada “Turma do Hytalo” e moravam na mansão do casal em João Pessoa, sob autorização dos pais.

Vizinhos do condomínio de luxo denunciaram festas regadas a álcool, das quais as crianças e adolescentes participavam. Vídeos com danças sensuais eram publicados em redes como TikTok e Instagram para gerar engajamento.
Defesa de Hytalo Santos e Euro acusa Justiça de ‘racismo e homofobia’
Em nota ao portal Leo Dias, a defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente afirmou que o julgamento foi “contaminado” pelo preconceito.“A decisão representa, segundo a defesa, a vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual, além de expressar estigmatização contra o universo cultural do brega funk”, declarou.“Tal constatação é reforçada por trecho da própria sentença em que se afirma que não é porque Hytalo é negro e gay assumido, inclusive casado com um homem, que teria personalidade desvirtuada”, disse em nota. A defesa considera que, se inexistisse preconceito, a menção às características pessoais do réu seria desnecessária. Os advogados pretendem acionar o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para apurar a conduta do juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux. Um pedido
habeas corpus deve ser julgado na terça-feira (24). Hytalo Santos e o marido
foram presos em São Paulo, no dia 15 de agosto de 2025, e posteriormente transferidos para a Paraíba, onde seguem detidos preventivamente.O caso ganhou repercussão após um
vídeo do youtuber Felca denunciar a “adultização” de menores nas redes sociais, expondo como Hytalo Santos teria sexualizado crianças e adolescentes para lucrar com o engajamento.
23/02/2026 – Rádio Cidade FM