O que é violência vicária: mãe dos meninos mortos pelo pai em Itumbiara é alvo

Especialistas e projetos no Congresso ajudam a explicar quando a agressão contra filhos é usada para atingir emocionalmente a mulher O caso de Itumbiara (GO), em que dois meninos foram baleados pelo próprio pai Thales Machado reacendeu o debate sobre violência vicária, termo usado para descrever agressões contra terceiros com a intenção de provocar sofrimento na mulher, especialmente a mãe. O conceito é discutido no Congresso Nacional para inclusão expressa na Lei Maria da Penha. Sarah Araújo, mãe das crianças assassinadas, chegou a ser ameaçada no enterro do filho. Ela também foi alvo de ataques na internet e perfis falsos foram criados para se passar por ela.Violência vicária é a violência “por substituição”: o agressor atinge outra pessoa, como filhos, dependentes ou familiares da rede de apoio, com o objetivo de ferir a mulher emocionalmente.

Na prática, a ideia central é que o dano não se limita à vítima direta da agressão, porque a ação é direcionada a produzir sofrimento psicológico na mãe ou responsável, inclusive como forma de controle e punição.​

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara aprovou um projeto de lei que busca incluir, de forma explícita, a violência vicária entre as definições de violência doméstica e familiar contra a mulher na Lei Maria da Penha.O texto define o alvo típico como “filhos, dependentes ou outros parentes da rede de apoio da mulher”, quando a intenção é atingi-la.​

Violência vicária: por que a dor psicológica é central

Quando a agressão recai sobre os filhos, o sofrimento psicológico pode ser agravado por sentimentos de culpa, impotência e luto, além de episódios de revitimização social, como julgamentos e cobranças dirigidas à mãe.Em casos de grande repercussão, também pode haver circulação de versões não confirmadas e ataques virtuais, o que amplia o impacto emocional sobre familiares.​​O caso foi enquadrado como tema de violência vicária pela Defensoria Pública de Goiás por envolver a morte dos filhos em um contexto de conflito familiar.A Lei Maria da Penha já lista violências física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O projeto PL 3880/2024 foi aprovado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. texto pretende enquadrar a violência vicária dentre as definições de violência doméstica e familiar contra a mulher.O texto ainda precisaria passar por outras etapas de tramitação, incluindo análise na Comissão de Constituição e Justiça e votação no Plenário, além de aprovação no Senado para virar lei.​

Relembre a tragédia de Itumbiara

A cidade de Itumbiara, no sul de Goiás, foi palco de uma tragédia que resultou na morte de duas crianças na noite de quarta-feira (11). O então secretário de Governo do município, Thales Machado, atirou contra os próprios filhos dentro do apartamento onde morava e, em seguida, morreu. O caso gerou forte comoção local e repercussão nacional.

 O que aconteceu na noite do crime em Itumbiara

Os disparos ocorreram no apartamento da família, em um condomínio residencial de Itumbiara. Thales Machado estava sozinho com os dois filhos no momento do ocorrido. Após os tiros, equipes de socorro foram acionadas e as crianças encaminhadas para atendimento médico. Ele deixou uma suposta carta após o crime.

Quem era Thales Machado

Thales Machado ocupava o cargo de secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara. Ele era genro do prefeito do município e atuava na administração pública local. Até então, não havia registros públicos de episódios de violência envolvendo o secretário.A esposa de Thales e mãe das crianças não estava no apartamento no momento do crime. Conforme noticiado, ela estava em viagem quando a tragédia ocorreu.

Repercussão e luto na cidade

O caso provocou forte impacto na cidade de Itumbiara. A prefeitura e a escola ligada às crianças decretaram luto oficial. A comoção se estendeu às redes sociais, onde moradores e autoridades manifestaram pesar pelas mortes.Durante o velório e o enterro do menino de 12 anos, a mãe passou a ser alvo de ataques e ameaças, inclusive presencialmente. A situação levou a manifestações de repúdio por parte de autoridades e familiares, que pediram respeito e cautela diante do momento de dor.

Investigação e próximos passos

A Polícia Civil de Goiás instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do crime. Como o autor morreu, a investigação deve se concentrar na coleta de laudos periciais, depoimentos e análise de documentos, com possibilidade de arquivamento após a conclusão formal do inquérito.Em casos semelhantes, a investigação é arquivada pela Justiça. O procedimento é necessário para esclarecer os fatos, mesmo sem responsabilização penal, garantindo segurança jurídica e encerramento oficial do caso.   



18/02/2026 – Rádio Cidade FM

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