Ministério Público recebe novos relatos de pacientes contra cirurgião plástico que atua em Presidente Prudente | Presidente Prudente e Região


As duas mulheres relataram ao Ministério Público que decidiram fazer as denúncias depois que souberam da existência de outros casos e do início da ação penal contra o médico na Justiça.

Na semana passada, o Fronteira Notícias 2ª Edição mostrou que duas mulheres que acusam o médico de supostos crimes sexuais aceitaram gravar entrevista sem serem identificadas e descreveram como teriam sido vítimas do chamado estelionato sexual: em que uma pessoa usa a relação de confiança para enganar a outra e praticar abusos.

Uma das novas acusações envolve uma paciente que passou por duas consultas com o cirurgião plástico entre os anos de 2018 e 2019. Na primeira, ela diz que estranhou o fato de João Paulo lhe fazer elogios “demasiadamente”.

A vítima conta que ele pediu o número de telefone pessoal dela para enviar informações, mas a convidou para ir a um congresso com ele. Ela diz que achou estranho, mas entendeu que era apenas um convite e recusou.

Já na segunda, o médico teria agendado a consulta em um sábado. “A clínica estava vazia, só o João Paulo estava presente”, relata a mulher. A finalidade do encontro médico era a aplicação, sugerida pelo cirurgião, de um novo produto em fase de experimento para a pele, na região da virilha, que atuaria como uma forma de depilação definitiva.

Quando a consulta começou, a mulher relata que tirou a roupa e colocou um avental. Ela diz que João Paulo examinou sua virilha, tocando esta região do corpo com ambas as mãos, estando a paciente ainda vestida de calcinha.

O médico, então, ofereceu aplicações de “botox” no rosto, a mulher ficou com os olhos fechados e reclamou de dor. Nesse momento, a mulher relata que o médico a beijou no lado oposto ao da aplicação, ou seja, no lado direito do rosto, e disse-lhe: “É para não doer”.

Ela imediatamente se levantou da maca e reclamou, dizendo que aquela conduta estava errada. João Paulo teria pedido desculpas e ela foi embora.

Cirurgião plástico é acusado de abusar sexualmente de pacientes em Presidente Prudente (SP) — Foto: TV Fronteira

Cirurgião plástico é acusado de abusar sexualmente de pacientes em Presidente Prudente (SP) — Foto: TV Fronteira

A outra mulher narra um fato mais antigo, que teria ocorrido há quase 15 anos, em 2008, durante uma consulta para conferir os resultados de uma cirurgia.

A segunda vítima disse ao Ministério Público que ficou sozinha no consultório com o cirurgião plástico e tirou as roupas de cima para que João Paulo fizesse a avaliação. Em seguida, segundo a mulher, o médico passou a tocar os seios dela de “forma diferente”.

Ela ainda disse à Promotoria de Justiça que acredita ter havido excesso do que o médico normalmente deveria fazer, pois o mesmo teria passado a massagear os mamilos e a tocar exageradamente nos seios, massageando-os.

A mulher ainda acrescentou que as próteses de silicone foram introduzidas por meio de cortes nas axilas, portanto, não havia necessidade de massagear os mamilos. Ela declarou que se incomodou e passou a se esquivar do médico, quando ele disse: “Ué, você está com vergonha? Não se esqueça que eu te vi pelada”.

Em seguida, a paciente conta que João Paulo ainda teria pedido para ela deitar na maca e disse que tinha um creme para clareamento de virilha. Seria um produto que ainda estava em fase de testes e que poderia aplicar de graça. Mas, depois do que havia acontecido, a mulher disse: “Deixa para a próxima!”. O cirurgião plástico teria sugerido, então, uma nova consulta, mas ela nunca mais retornou à clínica.

Os dois novos depoimentos serão incluídos pela Promotoria no processo criminal que já está em andamento na Justiça. Nele, o médico é réu sob a acusação de violação sexual mediante fraude.

As novas denúncias vão ser analisadas em conjunto com as outras duas que já tinham sido apresentadas ao Poder Judiciário.

  • Cirurgião plástico é acusado por pacientes e se torna réu por violação sexual mediante fraude em Presidente Prudente
  • Conselho Regional de Medicina abre sindicância para investigar denúncias de violação sexual contra cirurgião plástico
Ministério Público do Estado de São Paulo recebeu relatos de pacientes contra o médico, em Presidente Prudente (SP) — Foto: TV Fronteira

Ministério Público do Estado de São Paulo recebeu relatos de pacientes contra o médico, em Presidente Prudente (SP) — Foto: TV Fronteira

A defesa do médico João Paulo de Almeida Lopes se manifestou sobre o assunto através da seguinte nota enviada à TV Fronteira:

“A Defesa do médico Dr. João Paulo de Almeida Lopes vem a público manifestar total repúdio à campanha de desgaste da sua imagem, operada mediante o acesso a dados e informações resguardadas pelo sigilo processual.

Evidente que o vazamento ilegal de elementos investigatórios e processuais sem qualquer autorização do Poder Judiciário causa danos irreversíveis, o que será apurado contra os responsáveis nas esferas cabíveis. A veiculação ilegal dos dados também ofende o princípio da presunção de inocência, o qual garante ao acusado o direito de não ser tratado como culpado perante a opinião pública antes do seu julgamento definitivo. Quanto ao conteúdo das acusações, desde já se nega em absoluto o seu teor, o que será demonstrado em Juízo.

A Família, Pacientes e Amigos do médico vitimado por esta campanha difamatória, têm manifestado absoluto e irrestrito apoio, confiando plenamente na sua inocência”.

Cirurgião plástico é acusado de abusar sexualmente de pacientes em Presidente Prudente (SP) — Foto: TV Fronteira

Cirurgião plástico é acusado de abusar sexualmente de pacientes em Presidente Prudente (SP) — Foto: TV Fronteira

Já a Promotoria informou à TV Fronteira que as entrevistas foram concedidas voluntariamente pelas vítimas, as quais solicitaram sigilo apenas dos dados pessoais.

Segundo o MPE-SP, o sigilo visa a resguardar a identidade das vítimas e não do suposto autor do delito.

O Ministério Público explicou ainda que, nesta etapa preliminar, são suficientes indícios da prática delitiva para que se inicie o processo criminal, sem qualquer juízo definitivo quanto à culpabilidade do acusado.

O médico cirurgião plástico João Paulo de Almeida Lopes, de 46 anos, foi acusado por duas pacientes de ter abusado sexualmente de ambas mulheres, em seu consultório, localizado no Jardim Paulistano, em Presidente Prudente.

As histórias das vítimas, que não querem ser identificadas, levaram a Justiça a tornar réu o médico por violação sexual mediante fraude, após o recebimento de uma denúncia feita contra ele pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.

Ele é apontado pela Polícia Civil e pela Promotoria de Justiça como responsável por ter cometido crimes sexuais.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) instaurou sindicância, no último dia 30 de setembro, para apurar as denúncias de violação sexual mediante fraude que teriam sido cometida pelo cirurgião plástico João Paulo de Almeida Lopes, em Presidente Prudente.

Em nota à TV Fronteira, o Cremesp havia informado que todas as informações são sigilosas, conforme determinado por lei.

O órgão ainda disse que qualquer manifestação por parte do Cremesp durante a apuração de um processo poderá ser considerada como um pré-julgamento, chegando até a invalidá-lo e/ou a nulidade do processo.

No final de toda a investigação, se comprovada a culpa de João Paulo de Almeida Lopes, as penas sob ele podem ser as seguintes:

  • advertência confidencial em aviso reservado;
  • censura confidencial em aviso reservado;
  • censura pública em publicação oficial;
  • suspensão do exercício profissional de um a 30 dias; e
  • cassação do exercício profissional.



Fonte: G1


07/10/2022 – Rádio Cidade FM

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